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Chó do Guri 

MARATONAS

08:40, 28/5/2007  ..  1 comments  ..  Link

Mais e mais maratonas. Assim sugerem os conservadores propagandistas do partido no poder, sempre que chega uma data específica a comemorar. Contrariamente, ao que defendem os activistas da luta contra o alcoolismo, há para aí muita gente a misturar política com os abusos do álcool quando já muitos usam e abusam sem precisarem de propaganda. As maratonas são, deste modo um incentivo para o abuso do etílico. Um convite aos maus comportamentos acrescidos de riscos. Riscos para pessoas de todas as idades porque o álcool bebido em exagero traz as mesmas consequências em gente nova, tal como em gente adulta e o bebido nas maratonas, são sem dúvida, o maior mal do conjunto; é Angola a beber e a política a (dês) convencer. Está na altura de construirmos um pais novo e edificar o homem. O incitamento para cativar mentes a aderir ideais são muitas vezes feitos de forma desastrosa, tal como os anúncios publicitários que desvalorizam o próprio produto. O povo deve, isso sim, ser incitado em valores de consciência em vez de serem instigados às bebedeiras de grandeza. Interessa a nação, o homem racional, inserido, com reflexões, atinentes a evolução e revalorização do ser humano.

 

As maratonas têm-se convertido em condutas de riscos para os cidadãos. Pois que a constatação da perigosidade dos efeitos do consumo excessivo de álcool tem a sua repercussão no tecido social e cabe aos governantes a responsabilidade pública do controlo do uso e abuso de bebidas alcoólicas em hasta pública.

 

Para se ser cidadão é preciso ser racional. Será que mais vinho, mais cerveja dá ao povo mais raciocínio para se sentir patriota quando a qualquer hora evocamos o bom comportamento cívico.

 

Esta estratégia propagandista com efeitos nocivos para a sociedade, não convence: Prejudica os mais carentes e os menos informados que se vêm agarrando aos fenómenos de índole económica e sócio cultural em que sobressaem os preceitos religiosos, hábitos, mitos, tradições, falsos conceitos; razões individuais de ordem fisiológica e psicológica; razões externas, decorrentes das exigências status quo.

 

Pontualmente: os vendedores e os consumidores, crianças e adultos expostos a neblina da noite e madrugada são afectadas e correm riscos para a saúde. Depois da maratona tem-se visto por aí, as consequências de tais exageros: Muito álcool ingerido é igual a muitas desavenças entre cidadãos, muita criminalidade, muita marginalização, muitos suicídios, muitos acidentes de automóveis e de trabalho e muitas abstenções ao serviço. Os menos bafejados pela sorte, tem tido como consequência, o fim da vida. Por isso é preciso ter prudência e a prudência começa com a prevenção e prevenir não é incentivar.

 

Muito mais confrangedor é levarem as pessoas sensatas a pensar no que foi a política dos colonizadores para melhor reinar: “além da divisão social, a BEBIDA para todos para os levar as distracções foi a arma usada, sem coações” e hoje, quando já não se justifica e, por razão alguma, a evocação e a atribuição da culpa aos que praticaram tais actos no passado, vimo-nos assombrados por vulcões da crueldade: A publicidade e a propaganda que forja acirrarem mentes para diversos fins. Este tipo de atitude, em nada ajuda a sociedade de hoje muito menos a da amanhã porque está-se a criar maus hábitos e maus costumes.

 

Hoje os grandes bebedores, nas maratonas, são indivíduos com cerca de quinze anos e trinta e cinco anos, mas os fomentadores desta prática, ainda pertencem a geração do passado e têm consciência dos prejuízos causados pela ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, mas quando os interesses são maiores do que a condição física e psicossocial ficam acima de qualquer pressuposto. Para mal dos nossos olhos, ainda vemos por aí a deambularem, resultado do alcoolismo, as criaturas da outra geração, traduzidas em farrapos humanos em consequência de distúrbios mentais e dos delirium tremens, traduzidos por um estado de hiperactividade confusa e desorganizada.

 

 A propósito de políticas:

 

O Jornal “O Público” (13.02.00) publicou uma matéria, numa altura em que se falava muito das “Vacas Loucas” e para espanto li:

“O RED BULL, a mais popular das “smart-drinks”, contém taurina – uma substância extraída da bílis do boi. “isto é problemático, dado que os derivados de bovinos estão sob suspeita por causa da doença das vacas loucas”, sustenta Jorge Nunes, presidente da assembleia geral da Deco _Associação de Defesa do Consumidor. Levanta-se ainda a questão da publicidade enganosa e do fascínio do consumidor. No entender de Jorge Nunes, “As propriedades energéticas, as potencialidades afrodisíacas e a euforia sexual não passam de uma mentira. No entanto provocam o desejo de experimentar o fruto proibido e é preciso combater isso”.  

 

O que acontece entre nós é muito mais perigoso. A maior percentagem da população, mesmo entre aqueles que possuem alguns conhecimentos, tem a mentalidade do deixa andar. E se esses não lêem os rótulos, que nem sempre são correctos, que farão os leigos da população, que mal lêem e que não têm cultura para defesa da qualidade de vida que é exigida para o bem-estar, social e psicossocial do ser humano. Entre todo este substrato da população, é de salientar que há crianças e jovens vulnerabilizadas, em todo o sentido da palavra, com acesso gratuito a estes comportamentos, já que as maratonas são feitas na rua. Quando, embora contra maratonas, deveriam ser feitas em lugares fechados sob leis, onde só tivessem acesso pessoas adultas.

 

 

 

Chó do Guri



CHOVE CHUVA ATÉ ESTRAGAR

08:37, 28/5/2007  ..  0 comments  ..  Link

Falar da chuva de todos os anos na cidade de Luanda vai perdendo a sua graça. O disco tocou, voltou a tocar e agora riscou, mas continua a tocar, mesmo riscado. Só não ouvem os ouvidos moucos de algumas pessoas ligadas a governação. Por isso o disco vai continuando a tocar. Às vezes com uma sonorização muito alta e outras, não, mas vai continuando a tocar como água em pedra dura que vai batendo até furar. Pode ser que com um bocado de sorte possamos fazer um milagre aos moucos, para que oiçam o barulho silencioso das chuvas que todos os anos traz choros de lamentações dos muitos compatriotas que pagam uma factura demasiadamente alta, devido a negligência dos tutores que têm a responsabilidade de acabar com as tristes histórias causadas pelas chuvas.

 

O que dava prazer há muitos garotos quando eu também garota me punha debaixo das caleiras das casas do meu bairro, é um motivo de aflição para os muitos perigos que vão surgindo quando chove, aos garotos de hoje. Há o problema dos desabamentos das casas das pessoas vulneráveis, há o descarnar de alguns fios que conduzem a electricidade. Há buracos. Há por isso, uma sequência de problemas quando chove numa cidade como a nossa.  

 

Já vários compatriotas cantaram a chuva: água da chuva no Rangel, no Sambizanga, no Bairro Operário, no Cazenga, na Terra Nova, na Samba, em Viana, etc. etc.. a água que nos falta nas torneiras vai-se tornando água rara no cantar de Bonga, e é pedida com o clamor de Calo Pascoal: pouco de chuva, pouco de chuva … para amamentar a nossa agricultura e servir as necessidades pessoais de todos os cidadãos. Caindo muita chuva na nossa cidade, é o descalabro: acentua os buracos, dá origem a outros buracos onde se estagnam, tornando imundo muitos lugares desta cidade, com os mosquitos e outros vermes que se multiplicam e resultam em muitas doenças como a cólera, o paludismo, as diarreias agudas, etc., etc., etc..

 

O Criador de todas as coisas deu aos Homens a natureza virgem e fértil para usá-la com cuidado, mas os excessos da utilização abrupta, por vezes, arbitrária, obriga a natureza a revoltar-se. Em troca os homens recebem como resultado das suas pérfidas acções ou da ignorância às catástrofes naturais, o que muito se poderia evitar: mortes, doenças, deterioração de infra-estruturas, mas, mesmo assim, os anos repetem-se. Onde anda o bom senso dos Homens!

 

As nossas estradas que já são de lamentar tornam-se quase intransitáveis, terminam com a vida dos carros daqueles que adquirem com muita dificuldade porque os que adquirem com facilidade sãos os muitos que se encontram nos lugares cimeiros da nomenclatura a dormir à sombra do seu bem-estar pisando o povo cada vez mais generoso e menos heróico.  Dizia o primeiro Herói da nação: “É preciso fazer a guerra para acabar com a guerra.” Hoje, em tempo de paz, é preciso combater os sornas e os incúrias para reconstruir o país. Pois que há muito que fazer neste país e nesta cidade que vai abrindo as suas portas ao exterior e fechando ao interior.       

 

A chuva que mal começou a acordar já fez das suas por lhe terem dado oportunidade e Luanda quase parou. Nas estradas, já sem as características para que as possamos chamar de estradas chafurdaram os carros com gente que queria ir ao trabalho. E se muitos, pouco fazem, foram poucos os que chegaram aos locais de trabalho, atrasados, com a desculpa da chuva, porque a maioria não saiu de casa ou retrocederam depois de sair. Por mim, não é da chuva que temos de nos queixar. É da falta de um tratamento adequado das nossas ruas: principais, secundárias ou intermediárias. Qualquer leigo sabe disso. Perguntem aos muitos “Chiquitos” que pululam nas águas estagnadas e já podres que fazem os charcos nas estradas. Qualquer um, também, sabe que os amanhos dos buracos são uma forma paliativa para servir alguns dias, mas continuam a insistir no programa alternativo “TAPA BURACO” que é uma aberração. Quem trabalha com uma boa gestão, sabe que ao longo de quatro anos de paz, com que muitos, Homens do governo, se defendem para justificar os não feitos, que o dinheiro empregue em programas alternativos, somado, daria maiores resultados se empregue num programa mais viável, mais organizado, mais directo, na reparação das estradas, com uma liderança capaz.

 

Até quando esta insistência! Será sadismo!

 

Ainda há quem precise de acreditar e ter a esperança de que as coisas possam mudar e continua a bater na mesma tecla, mesmo sabendo que muitos se riem.

 

Só com persistência levaremos este barco à deriva a bom porto. Por isso: Água mole em pedra dura bate bate até que fure. Mãos à obra!

 

Então, deixem-me, também cantar: Água da chuva, água da chuva, água da chuva….



COMO OS AGENTES DA POLÍCIA ROUBAM OS CIDADÃOS

08:25, 28/5/2007  ..  0 comments  ..  Link

É triste! Realmente triste o que se assiste à toda a hora com os indivíduos que dia a dia vão usando a farda da polícia de trânsito para extorquir os cidadãos. Embora estejam incorporados este tipo de pessoas, não é menos verdade que na dita corporação existem indivíduos de bom senso. Conheço alguns a quem deposito total confiança. Mas como escolhe-los? Como saber quais os indivíduos que salvaguardam os cidadãos e quais os que atropelam a lei e judiam os seus compatriotas e não só? A agravante está em ser-se estrangeiro “pobre” ou apenas ser branco, pois que os referidos tornam-se, por sinónimo, os fora da lei. De outra forma, os ricos são protegidos pelas altas figuras desta nação. Para continuar, é preciso dizer que o fraco será sempre fraco e o forte sempre forte. Mas cá vamos neste nosso chão tão cruel para os mais necessitados, em busca de dignidade e de direitos. É preciso lutar! É verdade! Há muito se diz que só aquele que luta tem direitos. Pelo menos nesta terra, ninguém tem direitos à nascença como se fazem noutros países “ditos” civilizados. E ponho entre aspas porque ninguém tem a verdade absoluta. Ou será que ser civilizado é ter milhões de dólares? Mas esta questão fica para outra altura.

 

Continuando. Aqui os “gatos” fazem dos outros parvalhões. É assim que durante esta semana assisti, o que se diz na gíria, cenas do arco-da-velha. E que velha! É tão velha que tenho andado a pensar se devo fazer questão em andar a bater neste ferro que é tão duro. Nem as altas temperaturas conseguem fundir este ferro duro e velho.

 

O comportamento negativo de alguns agentes da polícia de trânsito, permitem outro slogan antigo que diz: O agente da polícia de uma nação deve respeitar o povo porque é em cada um que o povo vê o conjunto. No tempo colonial pegou. E vão-me agora chamar de saudosista! ? Façam-me ter saudade do presente, por favor!

 

Como dizia, durante a semana, um amigo viu-se acossado por dois agentes da polícia de trânsito que o interpelaram numa zona da cidade com pouca visibilidade. Quanto a isto, também, já sabemos que é assim. Não há luz! E depois? É para nos contentarmos com “o prubulema que’stamos cum ele”. Um mandou-lhe parar e pôs-se à frente da viatura e o outro, do lado do condutor, mandou-lhe sair da viatura. O homem obedeceu. Quem ousa fazer-se rogado à frente dessas autoridades? Ainda aquele que bebeu cerveja e não pagou deu tiro no outro em pleno dia! E agora…à noite, onde tudo está escuro? Obedece só, ouviste ? A vida dele, ainda na flor da idade custou 100 Kwanzas. A do meu amigo ficaria por um pouco mais se teimasse. Ele parou, com certeza. Com a desvantagem de ser branco e usar um carro que não chama à atenção; um toyotazinho!? Sabemos que há para aí muitos.

 

Saiu da viatura e um dos agentes pediu-lhe a documentação. Ele entregou-a completa, mas o agente disse-lhe: “Vou-te passar uma multa porque tens os vidros do carro fumados.” Eu senhor agente?” “Você sim!” “Mas, garanto aos senhores agentes que os vidros do meu carro não são fumados.” “ Então se não são fumados - repetiu o agente -  quem te mandou parar? Vou-te aplicar a multa. A multa é de doze mil kwanzas”- disse o outro.

 

O meu amigo, desesperado, ligou para um número de telefone a pedir apoio a um possível agente superior da corporação porque depois deste meu amigo lhe ter feito um favor o tal agente desfez-se em agradecimentos prometendo-lhe ser-lhe grato em situação de qualquer natureza e mais, prosseguiu o agente superior, “nem que te encontres embaraçado com os agentes da polícia. Estou aqui para te satisfazer e te defender no que for necessário.”

 

Usando do princípio de reciprocidade, o meu amigo telefonou a explicar a situação, já que se tratava de uma situação anormal. Afinal quem estava a agir de má fé eram os agentes da polícia. Do outro lado da linha, o agente superior atendeu. Ouviu a explicação e retorquiu: “Olhe! Fale bem com eles. Fale bem, você sabe!” o homem desligou o telefone, voltou-se para os agentes e disse: “ Acabei de falar com um superior vosso. Ele disse-me para falar bem com vocês.”  “Então fale. Vocês sabem que os nossos chefes dependem de nós.” Respondeu o que parecia mais arrogante.” “Eles lá sabem como é que os chefes precisam deles!” O meu amigo, lá com o seu jeito jocoso, replicou: Vocês querem dizer-me que não sei falar? Por sinal sou professor de Língua Portuguesa e não é por acaso. Tive que estudar.”  “Fala lá bem, então!” Disse um deles. “Refere-se a dinheiro, senhor agente?” Perguntou o meu amigo.“Está a ver como você sabe falar bem!” O meu amigo meteu a mão no bolso e tirou uma nota de dois mil Kwanzas e mostrou-a aos agentes. “Só isso? Hum! Assim você já não está a falar bem. Então se a multa é de doze mil paus…” Disseram os dois agentes em jeito de contestação. O meu amigo voltou a pôr a mão no bolso. Tirou a carteira e de lá tirou uma nota de 50 USD. Uma reserva para situações emergentes. Entregou-a aos agentes que logo a seguir se afastaram dele e ainda, como que, por ironia, desejaram-lhe boa noite.

 

Dentro da viatura, o meu amigo voltou a ligar para o agente superior. “Pronto! Já falei bem com os dois agentes. Tive de dar-lhes 50USD.” “Ò homem… você deu dinheiro? Isso é corrupção.” Disse o agente superior que logo de seguida desligou o telefone sem que o meu amigo pudesse repostar. Depois de alguns segundos a ouvir o som do telefone desligado, o meu amigo eliminou o número do celular do agente superior da sua agenda. Admiram-se se alguém disser que este é o espelho de muitos?



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